Quando a morte chega sem avisar

E assim, de repente, somos lembrados da nossa pequenez, da nossa insignificância em relação ao mundo e à natureza; da nossa impotência, da nossa falta de preparação para o fim.
E assim, de repente, somos lembrados de que as coisas fúteis que nos preocupam no dia a dia são exactamente isso, coisas fúteis.
De repente damos por nós a pensar o quanto gostaríamos de ter estado mais vezes com aquela pessoa, o quanto gostaríamos de ter demonstrado mais, dado mais, falado mais... e já não podemos.
A sensação de vácuo, de apatia, enche-nos o corpo e a alma.

E assim, de repente, sou confrontada com a notícia inesperada e chocante. Não vou aqui contar detalhes do sucedido - it's not my story to tell - apenas tentar colocar em palavras aquilo que senti, e que ainda sinto quando penso no assunto.

Tenho ainda uma memória tão vivida da pessoa, parece que foi ontem. Fez parte daquele que foi, possivelmente, o melhor ano da minha vida, embora de forma indirecta. Ter lembranças de alguém que já não vemos há anos, pensar que a pessoa estaria bem e a viver a sua vida tranquilamente e, sem qualquer aviso, receber uma notícia destas foi como se tivesse recebido um estalo vindo de uma mão invisível que me trouxe de volta à realidade impiedosa que é a fragilidade do ser humano. Durante todos estes anos imaginei-o feliz e, afinal de contas, durante todos estes anos já não estava entre nós.

Por mais empatia que sintamos quando ouvimos notícias de mortes nos telejornais, é muito fácil alienarmo-nos dos acontecimentos por não conhecermos as pessoas. Por alguma razão, nunca estamos à espera - ou sequer preparados para - que aconteça com alguém próximo ou que simplesmente conhecemos. Já passou uma semana desde que soube do sucedido e ainda continuo com aquela sensação estranha que nem dá para descrever, parece impossível, como foi possível...

Não sei o que me deixou mais abalada: conhecer a pessoa e, tal como disse em cima, achar que ela estava bem; saber que era o melhor amigo da pessoa que me deu a notícia e que essa pessoa estava presente no momento; pensar que poderia ter sido a pessoa que me deu a notícia e, nesse caso, eu poderia nunca vir a saber. É toda uma avalanche de sensações e sentimentos, que se torna dificílimo explicar onde começa o quê e onde acaba o quê.

E assim, de repente, tudo acaba, após - salvo erro - 22 anos de vida.

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