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Capítulo 7 - As Memórias de Clarice

Foi extremamente complicado desprezar o João; cada vez que ele intervinha numa aula eu respondia-lhe secamente. Notei claramente a tristeza na sua cara, mas tinha de ser, eu não queria ser despedida. Tinham-se passado quatro dias desde aquele beijo inoportuno; eu estava a arrumar algum material na arrecadação quando senti a presença de alguém, olhei para trás e lá estava ele a olhar para mim.
- O que estás aqui a fazer? Não tens aula agora?
- A professora faltou.
Fechou a porta e, antes que eu me apercebesse, trancou-a.
- Importaste de explicar o estás a fazer? Destranca a porta!
- Não. Precisamos conversar.
- Dá-me a chave!
- Não, a Clarice não vai sair daqui enquanto não falarmos.
- Muito bem, então começa e sê rápido, tenho mais do que fazer do que estar aqui a ouvir lamurias de um miúdo!
- Lamurias de um miúdo??
Aquilo deve ter-lhe afectado a auto-estima, quis provar-me algo, então começou a despir-se.
- O que é que estás a fazer?!
- A lamuriar-me!
- Deixa-te de gracinhas! Veste-te já imediatamente!
Eu estava a começar a ficar colérica, mas ao mesmo tempo senti um calor a percorrer-me o corpo que, definitivamente, não era de cólera. Ele estava então apenas de boxers; aproximou-se de mim, eu tentei afastar-me, recuando, mas já estava encostada à parede. Tocou-me no ombro esquerdo e eu estremeci; devo ter corado, pois senti a cara a ferver, embora estivesse escuro o suficiente para ele não notar. Aproximou-se mais, tanto quanto foi necessário para que os nossos corpos se tocassem. Não consegui reagir, deixei-me levar e quando dei por mim ele já me tinha tirado a camisola. Sentia as mãos dele por todo o meu corpo, as minhas por todo o corpo dele; já não sabia de quem era o suor ou de quem eram os gemidos abafados. Tal como tudo o que acontece em Las Vegas permanece em Las Vegas, o que aconteceu naquela arrecadação permaneceu naquela arrecadação. No entanto, depois do sucedido tornou-se ainda mais difícil ignorar o João, ou ficar-lhe indiferente. Enquanto eu o tentava evitar ao máximo, ele aproveitava todos os momentos em que me apanhava sozinha para me provocar. Não sabia quanto tempo eu ia aguentar aquela situação, nem quanto tempo iria continuar naquela escola, mas a resposta chegou dentro de poucos dias...

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