Carrossel (2º cap.)


Isabel sentia-se suja, como se algo peganhento estivesse agarrado a seu corpo e não conseguisse tirar, tomou banho uma e duas e três vezes, esfregou a pele com tanta força que esta tinha ficado vermelha. Não queria mais sentir aquilo, sentir aquilo no seu corpo e, pior, na sua alma, pior do que sentir o seu corpo sujo, sentia a sua alma invadida, possuída, dilacerada...
Sentiu-se tremer com um calafrio, abriu os olhos num repente, encontrava-se deitada no chão do passeio ribeirinho no braços de Gui. Via tudo desfocado, conseguia ver a cara de Gui meio deformada a tentar dizer-lhe algo. Depois de alguns segundos tudo ficou mais nitido e conseguiu ouvir o seu melhor amigo perguntar se estava bem, ao que ela respondeu com outra pergunta: - O que aconteceu?
Tinha desmaiado do nada, seu corpo ficara frio, tremia e gemia como se estivesse a ter um pesadelo.
E estava, mas um pesadelo bem real, aquelas imagens não lhe saiam da cabeça, a única maneira de sairem era....
NÃOO!! Gritou Gui, pondo-se de pé e puxando Isabel para cima.
- Não podes fazer isso, tens de ser mais forte que isso. Vou-te ajudar!
- Como? Não sei se alguém me pode ajudar...
- Eu posso e vou! Tu vais superar isso, tenho a certeza!
Quando Gui ia para a abraçar e beijar, Isabel impurrou-o com uma certa violência, embora comedida.
- Não me toques... desculpa!
As lágrimas escorriam-lhe pela cara, qual rio em tempo de cheias.

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