Doce Tentação part 6

Escrevo agora aqui à distância de alguns anos, não tantos quantos parecem ser, sinto como se fosse um passado longínquo talvez por a ele não querer regressar. Sei o que fiz agora que analiso com consciência os meus actos, sei dizer porque o fiz embora sem a exactidão da época em que foram pois o tempo acabou por apagar datas. Como uma doce tentação pode tornar-se numa memória amarga desprovida de emoção, pois a adrenalina é algo momentâneo, não nego que a aproveitei em todas as ocasiões que pude. Vida algo boémia essa que deixo para trás sem qualquer tipo de lamento, arrependimento ou remorso. Não preciso de pena, sei que fui vitima apenas de mim própria e dos meus próprios medos e frustrações...talvez ainda continue a ser.
Consigo ainda sentir o cheiro do teu cabelo, da tua pele, a força dos teus braços... Consigo ainda, se vasculhar na memória, reconhecer os vidros embaciados daquele Nissan Almera, que depois passou a ser um Peugeot 106... Vida louca essa que levavas também entre corridas de motocross e acelerações na IC8, entre álcool e música House. Afirmo hoje com toda a certeza que foste um escape, um refúgio; não, não te usei, cheguei mesmo a sentir algo mais pralém daquela tal adrenalina, mas descarregava nos nossos actos toda a falta de auto-estima que a vida quotidiana me proporcionava. Tentava apenas fugir de mim mesma. Se tenho saudades tuas? Não sei, mas talvez se te vir na rua te cumprimente.

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