Carrossel (11º capitulo)


- Não faço ideia quem me mandou aquela carta, Gui! Mas também não quero saber, acho que só tem importância aquilo a que damos importância. Tenho coisas mais interessantes em que pensar!

- Acho que tens razão, às tantas foi só uma bricandeira de mau gosto.

- De muito mau gosto queres tu dizer, mas enfim...


Isabel tinha telefonado a Gui para lhe contar sobre a carta anónima que tinha recebido e, tal como ela, o amigo achou que não devia preocupar-se. Quando desligou o telefone foi acabar de se vestir, o Tiago vinha ter com ela. Mais uma vez, mais uma volta no mesmo sentido e sem sair do sítio; Isabel perguntava-se quando é que o carrossel da sua vida se iria quebrar, quebrar a rotina, mudar de rumo. Às vezes sonhava acordada... com o dia em que o cavalo ganharia vida e se soltasse daquele carrossel a galopar.


Mas não valia a pena sonhar... a realidade não mudaria. A esperança chamava-se Daniel e, mesmo assim, estava quase a morrer. Hoje o seu encontro com Tiago iria ser diferente. Tinha de ser diferente!

Isabel foi ter com ele à estação de comboios dos Foros de Amora, era a primeira vez que ele vinha à margem sul por isso não conhecia o caminho. Pela primeira vez Isabel reparou realmente em Tiago, tinha os olhos cor de avelã, cabelo castanho claro ligeiramente aos caracóis, era um pouco mais baixo que Daniel. Sim era giro, sem dúvida, pensou ela.


As nuvens carregadas anunciavam chuva e por essa razão foram para casa de Isabel em vez de irem para um café. E qual sorte a deles, começou a chover torrencialmente mal entraram no prédio.

Estavam no quarto a ouvir musica quando Tiago começou a passar a mão pelos cabelos macios de Isabel, depois pelo seu rosto. Isabel apressou-se a tirar-lhe a mão da sua cara.

- Desculpa, hoje não. Penso que devemos ser apenas amigos.

- Desculpa-me a mim então, não queria ser inconviniente.

- Não foste, simplesmente acho que é melhor. Não me sinto bem ao estar a envolver-me com um amigo da pessoa de quem gosto, apesar de não ter nada com ele.

- O Daniel nunca irá saber...

- Eu sei.


Isabel sentiu um calafrio, uma espécie de pressentimento, e poucos segundos depois tocaram à campainha.

- Estás à espera de alguém?

- Não, vou ver quem é...

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