Carrossel (17º capitulo)


- Posso saber porque é que me trouxeste para aqui?

- Porque achei que ias gostar, além disso é nova.

- Ahahah está bem, já percebi que disco é, está escrito por cima da porta das casas de banho.

- Segundo ouvi dizer, isso foi apenas uma brincadeira que a dona decidiu fazer com o nome, o nome original é mesmo apenas Luv, de amor.

- Ah que interessante. E ela é? Estou a perguntar porque reparei que não entram rapazes heteros aqui.

- Penso que sim. Mas só entram alguns porque a maior parte vem aqui para ver as raparigas... percebes? E isso é um pouco incomodativo para elas.

- Sim compreendo. Faz sentido, isto não é uma boite! Vocês homens, por vezes, são muito inconvenientes.

- Espero que não me estejas a incluir a mim!


Depois de uma gargalhada, foram buscar as bebidas e dançar. A música estava óptima, de repente Isabel foi transportada pela memória até à noite em que conheceu Daniel, sentiu um arrepio na espinha, uma melancolia queria apoderar-se dela. Tentou ao máximo afastar esse sentimento de saudade e revolta, queria apenas divertir-se. Dançou até não poder mais, até as pernas doerem, quando deu por si estava a dançar à frente de uma rapariga que não conhecia de lado nenhum, olhou à volta e procurou os amigos. Estavam sentados nos sofás em frente, achou melhor continuar a dançar para não ir incomodar. Entretanto a rapariga perguntou-lhe o seu nome e se estava sozinha.
- Isabel. Não, estou com um casal amigo, mas eles estão ali sentados.
- Hmm ok, importaste que fique aqui a dançar ao pé de ti? Houve uma confusão entre os meus amigos e foram-se embora, nem disseram nada, quando voltei da casa de banho já não estavam.
- Sim podes. Bem eu não os conheço, mas isso não foi nada porreiro da parte deles.
- Deixa lá, quando os voltar a ver vão ouvi-las. O que vale é que a minha casa é aqui perto, não preciso de transportes.
- Já agora, porque vieste justamente para ao pé de mim?
- Vi-te a dançar sozinha pensei que também estivesses sozinha. Mas se estiver a incomodar diz.
- Não, nada disso, só perguntei por curiosidade.

A rapariga chamava-se Sara, tinha o cabelo castanho ondulado, a cor dos olhos não se percebia muito bem no meio daquelas luzes todas, mas pareciam ser igualmente castanhos. Era praticamente da altura de Isabel. Contiuaram a dançar até que começou a batida de uma kizomba... e ambas ficaram histéricas.
- Meu deus, adoro esta música, há tanto tempo que não ouvia isto numa disco.
- Também eu!
- Costumava dançar isto com uma amiga minha!
- Bem, não sou essa tua amiga mas podemos dançar se quiseres.

Isabel nem hesitou de tão euforica que estava, já nem sabia bem se aquilo era da música ou da vodka preta. Estavam a dançar tão bem que ficou tudo a olhar para elas e, em menos de dois minutos, estava tudo a dançar como elas. Até o Tiago e a namorada se levantaram para irem dançar. Isabel começou a sentir um calor estranho, talvez não devesse ter bebido tanto; tinha os braços à volta do pescoço de Sara, enquanto que as mãos desta lhe agarravam na cintura. Os seus corpos tocavam-se ao som de "Menina". No meio da escuridão, apenas com os flashes da luz strob, olharam uma para outra...

A claridade do dia já se notava, Isabel acordou, olhou à sua volta e não reconheceu o quarto onde estava. Sara entrou no quarto a sorrir.
- Espero que tenhas dormido bem.
- Sim dormi. Aquilo aconteceu mesmo?
- Hmm pois acho que sim.
- Desculpa mas ainda tou com aquela sensação de ressaca, quando não sabemos muito bem se o que nos lembramos é real!
- Não há problema, nem eu sei explicar o que nos deu. Nunca tinha feito uma coisa destas, além disso acabei com o meu namorado há pouco tempo, não estava à espera.
- Pois nem eu!

Olharam uma para a outra e deram uma gargalhada.

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