Carrossel (14º capitulo)


Meu Deus o que a sangria faz a uma pessoa... foi este o pensamento de Isabel no dia seguinte, nem sabia como olhar para a cara dos dois amigos. Não pôde negar que foi uma experiência interessante, mas isso não a fazia sentir menos envergonhada. Estava finalmente em sua casa, sem ter de lhes olhar nos olhos, tinha-lhes dito que precisava de um tempo até lhe passar esta fase de culpa e constrangimento antes de voltarem a encontrar-se.


Duas semanas se passaram, Isabel encontrou Daniel num centro comercial em Lisboa, mas a atitude dele não a agradou em nada. Foi frio, quase insensível e pouco falou. Sabia que mais tarde ou mais cedo iria ter de falar com ele sobre aquilo, mas como estava com um pouco de pressa deixou andar. Sentou-se num café à espera da sua amiga Sofia, enquanto esperava perdia-se em pensamentos sobre o que iria dizer a Daniel...

Porque me estás a tratar assim..."porque por vezes farto-me das conversas"... ai sim? que me lembre quem mudou radicalmente a forma de falar comigo foste tu, logo depois de termos estado juntos da primeira vez! A culpa não é só minha. E eu não deixei de falar contigo, nem com o Tiago, apenas precisei de um tempo porque nunca tinha feito aquilo na vida, ainda estou um pouco constrangida com tudo isto!


Algo cortou o pensamento de Isabel e fez com que olhasse para o lado. O empregado do café estava a chamá-la já há dois minutos quando ela se apercebeu.

- Desculpe estar a incomodar, mas mandaram-me entregar-lhe esta carta!

- Outra carta?... Por acaso viu quem lha entregou?

- Parecia-me ser uma rapariga, mas não lhe consegui ver a cara, pois tinha o carapuço do casaco na cabeça.

- Ok obrigada, já agora pode-me trazer um café e um copo de água.

- É para já, com lincença.


Isabel já sabia o que significava aquela carta, tinha o mesmo aspecto da primeira, a mesma letra no destinatário, igualmente sem remetente, só restava saber se o conteúdo era também igual:


Se pensares bem, saberás quem sou. Não estou para brincadeiras, não te quero mais na casa dele, nem na vida dele... ele não será teu!


Começava já a ficar farta destas ameaças e avisos, por mais voltas que desse à cabeça não conseguia descobrir, ou pelo menos ter uma desconfiança, quem lhe andava a mandar tais cartas. Decidiu mais uma vez ignorar, embora ficasse a pensar que a pessoa podia andar a segui-la, visto que sabia que ela estava ali naquele café do centro comercial. Tentou, porém, não ficar assustada com este assunto. Uns minutos depois de ter acabado de ler a carta, Sofia chegou...

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