Prisão Emocional (4º capitulo)


O dia estava carregado de nuvens negras prestes a rebentar com uma trovoada, Isabel nem se atreveu a sair de casa, o céu metia medo até à alminha mais destemida. Gostava de ver os raios adornarem o céu negro da noite, mas tinha de ser na segurança do seu prédio, preferia trovoada com chuva, embora na cidade uma trovoada seca não fizesse tanta diferença devido a todos os apara-raios dos prédios. O tempo parecia querer reflectir o estado de espirito de Isabel, que estava igualmente carregada de energia negativa prestes a explodir, a diferença é que ela não estava a conseguir explodir como a trovoada que agora tinha começado.


Precisava de se distrair com qualquer coisa, mas não se conseguia concentrar em nada, nem no livro que estava a ler, nem na tv, nem no que queria escrever... estava a sentir fome, não fome de comida, mas fome de desejo, fome de pele macia e transpirada, fome de prazer inexplicável... Oh meu Deus, no que ela estava a pensar novamente, quando é que aquilo iria acabar; quase lhe passou pela cabeça que precisava de um psicólogo, mas em seguida lembrou-se de algo melhor para se distrair... O som dos trovões ditava o ritmo, o estremecer do prédio coincidia com o estremecer do corpo, a trovoada ficou mais forte, cada vez mais intensa, mais violenta... até que acabou por fim. Isabel sentia-se agora muito mais aliviada, parecia que tinha tirado um peso de cima, foi até à janela, as estrelas começavam a querer aparecer (agora conseguia vê-las graças ao apagão da cidade devido à trovoada).


Por quanto tempo mais isto iria continuar, tinha que tirar estes pensamentos da cabeça rapidamente, não queria ficar louca... entretanto a luz voltou, Isabel pôde ligar o computador para falar com Pedro, queria fazer-lhe um convite...

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